O rei persa mostrava ao rei árabe, seu hóspede, o labirinto arquitectónico luxuoso (e assustador) em que transformara o seu palácio e os jardins. Ai de quem lá entrasse! Bosques cerrados, veredas sem saída, sebes densíssimas de buxo, portões fechados, muralhas intransponíveis, feras, armadilhas, inúmeras escadas, paredes, incontáveis portas de bronze. O rei árabe viu tudo aquilo baixando a cabeça, silencioso e apreensivo.
Anos depois, quando o rei persa lhe retribuiu a visita, o rei árabe levou-o à beira do deserto e disse-lhe:
- Aí tens o meu labirinto! Afinal tão inquietante e enigmático como o teu...
(adaptação livre a partir de Jorge-Luis Borges, "Aleph e Outras Histórias")