quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Mantém a tua mão

Mantém a tua mão
No rigor das dunas
Andar no arame
Não é próprio de desertos

Cruza sobre mim
As pontas do vento
E orienta-as a sul
Pelo sol

Mantém a tua mão
Perpendicular às dunas
E encontra o equilíbrio
No corredor do vento

A nossa conversa percorrerá oásis
Os lábios a sede

Quando saíres
Deixa encostadas
As portas do Kalahari.


IN “Manual Para Amantes Desesperados”,
de Ana Paula Tavares
(n. Huíla, Sul de Angola, 1952- ...)

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