"E se lá voltássemos - aos loucos e gloriosos anos sessenta. Para quê? Ora para quê! Para reviver, claro! Mas sobretudo para, neste exercício de ida e volta, tentarmos perceber onde e porque falhámos. Porque falhámos! Redondamente.
Não era nada disto o que a gente queria, mas foi isto o que a gente teve. Olhando para trás, até parece que o fim da vida vivida é desfazer o sonho que a informou! Somos uma geração de "vencidos".
Mas não julgues tu que vou dar um tiro na cabeça, como fez o Antero, ou que me vou vingar, escrevendo uma qualquer reaccionária cidade e as serras, à moda do ex-progressista Eça. Não! Sou um cão sem coleira, até ao fim, vou morder as canelas de quem me der pontapés....
Vem comigo. Vamos por-nos à boca do Outono de 59.
Portugal era, então, um país de campónios e pescadores, todos a molhar os pés no mar salgado do Fernando Pessoa que, ao tempo, ainda só era conhecido de meia dúzia de intelectuais. Quando lá chegarmos, está a amanhecer nas portelas mais altas das serras da Gralheira e da Freita. Toques repetidos de um búzio marítimo percorrem as veredas da minha aldeia, anunciando (...)"
Jaime Gralheiro (de volta, ele mesmo! Para ler e reler, saborosamente, vendo e revendo a história entretecida nos fios das estórias ...)
IN A Caminho do Nunca? ou "Minha loucura outros que me a tomem"... , Edições Húmus, 2009, pág 11
quinta-feira, 25 de junho de 2009
A Caminho do Nunca? Ou "Minha loucura outros que me a tomem"...
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