terça-feira, 29 de janeiro de 2008

HÁ QUEM PROCURE

Eu também procuro na poesia o bálsamo destes dias
difíceis
povoados por adamastores de trazer por casa.
Que o poema vista de domingo cada dia
e atire foguetes para dentro do quotidiano.
Que o poema vista a prosa de poesia
ao menos uma vez em cada ano.

Que o poema faça um poeta de cada
funcionário já farto de funcionar.
Ah que de novo acorde no lusíada
a saudade do novo o desejo de achar.

Que o poema diga o que é preciso
que chegue disfarçado ao pé de ti
e aponte a terra que tu pisas e eu piso.
E que o poema diga: o longe é aqui.


Manuel Alegre

Semana da Leitura