Há 25 anos era Outono como hoje, mas a Escola de Ílhavo vestia as cores da Primavera.
Há 25 anos, a Rosa da Conceição acudia a tudo, planificava o ano com rigor, assinava o termo de posse das novas instalações e certificava a presença secreta das esferas de marfim na balança do laboratório… a Alcina Resende tomava conta das contas, dos equipamentos e começava a sonhar com a 1ª Semana Cultural… a Ester Martins preocupava-se com a cantina, a papelaria, o ginásio e ainda escrevia poemas sobre o 25 de Abril…
Há 25 anos, tínhamos muitas reuniões de Conselho Pedagógico, a Secretaria andava numa azáfama, os contínuos e as contínuas não paravam, mas ninguém parecia queixar-se.
Há 25 anos, a D. Bértila continuava a vir cedinho de Aveiro, no seu FIAT 600, dava-nos boleia e sorríamos porque já não tínhamos a visita do sapo curioso que nos espreitava as aulas em dias de chuva no buraco da sala 6 dos velhos pavilhões.
Há 25 anos, começavam a tilintar as cordas no mastro da bandeira sempre que havia vento.
Há 25 anos, plantavam-se as palmeiras de boas-vindas que ladeiam o portão principal da escola e os plátanos que dão sombra aos recreios. Aos troncos, a Escola imitou-lhes a robustez; às folhas, copiou-lhes o verde intenso com que se pintam os traços e as luzes dos sonhos a concretizar; às raízes, pediu-lhes a força e ligou-se energicamente ao chão. A Escola sabia que viriam torvelinhos que poderiam levar as folhas acastanhadas e abanar os ramos, mansamente, algumas vezes, com violência outras tantas.
Há 25 anos, a Escola nova, rodeada ainda de quintais e hortas, acolhia asas sábias de aves migratórias e construía ninhos firmes para pássaros residentes.
Há 25 anos, ouviam-se passos de menonas e meninos em alegres corridas…
Há 25 anos eu dava 10º ano de Português A pela primeira vez e aprendia mais sobre a Literatura Portuguesa que já amava.
Há 25 anos, eu vinha para a Escola nova redobradamente feliz porque tinha dado à luz a minha primeira filha…
Obrigada por me terem feito reavivar hoje lembranças esbatidas de coisas passadas há 25 anos, quando fiz amizades que ainda prezo e guardo no lugar do coração.
Há dias de Outono em que vale a pena semear a Primavera…
23 de Novembro de 2007 (jantar comemorativo dos 25 anos do novo edifício da Escola João Carlos Celestino Gomes)