segunda-feira, 17 de setembro de 2007

ATÉ PARA CONSTRUIR O CÉU É PRECISO IMAGINAÇÃO

Um velho e sábio Mandarim teve um dia o privilégio de visitar o outro mundo.
Visitou primeiro o inferno.
Por mais estranho que parecesse, era um lugar lindíssimo, cheio de jardins, de aves raras, de lagos azulados, de montanhas rosadas cujos cimos brilhavam ao sol.
No centro desse lugar conduziram-no a um palácio maravilhoso onde, numa esplêndida sala de jantar, eram servidas às pessoas as mais deliciosas iguarias confeccionadas com arroz. No entanto, toda a gente tinha um ar famélico e infeliz. E o velho Mandarim compreendeu porquê quando reparou que, para se servirem, lhes tinham distribuído pauzinhos com dois metros de comprimento, com os quais lhes era obviamente impossível levar a comida à boca.
Angustiado com este espectáculo, pediu que o conduzissem depressa ao céu.
Aí, surpreendido, verificou que a paisagem era idêntica à do inferno.
E, num belo palácio, em tudo semelhante ao primeiro, encontrou um mesmo banquete, preparado com as mesmas iguarias. Apenas no rosto das pessoas via uma expressão tranquila, saciada e feliz, que admirava tanto mais quanto os via empunhar os mesmos pauzinhos com dois metros de comprido.
Observando melhor, notou então que cada pessoa, com os seus pauzinhos, dava de comer à que se encontrava defronte.
(Conto chinês)

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